17/06/2026
A partir de 7 de junho, o trabalhador brasileiro médio passou a trabalhar para si mesmo: tudo o que ganhou de janeiro até então foi, na prática, destinado ao pagamento de tributos. São 150 dias de trabalho dedicados exclusivamente a impostos em 2026.
O número corresponde a uma carga tributária efetiva de 41,1%, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) — o maior patamar desde 2019, quando o índice estava em 41,8%.
A média esconde uma distorção. Quem recebe até R$ 3 mil por mês tem carga efetiva de 39,18%, equivalente a 134 dias de trabalho, com o prazo se encerrando em 23 de maio. Já quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 10 mil paga mais que todos: 43,01%, ou 157 dias, só se liberando em 6 de junho.
Quem recebe acima de R$ 10 mil tem carga de 41,1% — os mesmos 150 dias da média e menos que a faixa anterior. Na prática, a progressividade que deveria elevar a tributação conforme a renda cresce não funciona de forma linear no Brasil.
Em 1986, eram 82 dias de trabalho para pagar imposto; em 1988, caíram para 73. A partir daí, só subiram. A virada mais expressiva veio em 2001, quando o número saltou para 130 dias. Desde então, a marca oscilou entre 140 e 153 dias, com breve alívio na pandemia, entre 2020 e 2022. A carga voltou a subir em 2023 e, em 2026, retornou aos 150 dias, patamar não visto desde 2012 e 2013.
O estudo considerou o período de maio de 2025 a abril de 2026. O ICMS subiu em vários estados — Maranhão de 22% para 23%, Rio Grande do Norte de 18% para 20% e Piauí de 21% para 22,5% — e, em abril de 2025, dez estados passaram a cobrar 20% sobre importados no programa Remessa Conforme.
O IOF foi o tributo de maior peso no período, com altas em crédito, câmbio, previdência privada, seguros e operações financeiras. As bets tiveram a alíquota sobre a receita bruta elevada de 12% para 15%; fintechs e bancos digitais sentiram o aumento da CSLL; e empresas que remuneram acionistas via Juros sobre Capital Próprio passaram a pagar 17,5% de IR, ante 15%.
Produtos de tecnologia importados tiveram aumento de até 7,2 pontos percentuais no Imposto de Importação a partir de fevereiro de 2026. A taxa das blusinhas — 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, em vigor desde agosto de 2024 — também entrou no cálculo, embora tenha sido revogada em 13 de maio.
A principal crítica de quem estuda o tema é o desequilíbrio entre o quanto se paga e o que se recebe em troca. Depois de décadas dedicando quase cinco meses de trabalho por ano ao Estado, o brasileiro ainda convive com serviços públicos aquém do que é arrecadado. Os números do IBPT mostram quanto o Estado cobra; falta uma conta equivalente do que ele entrega.
Fonte: Com informações de Jornal Contábil
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